fonte: co-autor: Marco Aurélio Benevenuto Kromberg (economista)

A Previdência Social consiste em um sistema contributivo em que o trabalhador tem como retorno o seguro contra a perda da capacidade de trabalho, como acidentes, doença, morte e velhice, inclusive. Os trabalhadores brasileiros que possuem carteira de trabalho assinada (alocados no setor formal do mercado de trabalho) já são incluídos automaticamente no Regime Geral da Previdência Social, enquanto os trabalhadores informais podem voluntariamente contribuir, também tendo acesso aos seus benefícios.


Existem certas circunstâncias que qualquer pessoa está sujeita no decorrer de sua vida, como acidentes, doenças, invalidez, velhice, entre outros. Com o objetivo de amparar e auxiliar pessoas que não são mais produtivas, o instituto da previdência social fornece renda e segurança para seus contribuintes no momento em que o indivíduo necessita.


A Previdência Social faz parte de um gênero maior, o da seguridade social.


Este gênero consiste em um conjunto de ações na área de previdência social, assistência social e saúde. Portanto, a seguridade social é um conjunto de ações que visa amparar os cidadãos de determinado Estado contra os adventos que podem ocorrer no decorrer da vida.


A assistência social é o segmento de ações estatais que visa auxiliar aqueles incapazes de trabalhar e não possuem qualquer outra forma de renda para se manter. Para fazer jus aos benefícios, deve-se comprovar sua condição de necessitado e, diferentemente da Previdência Social, não é preciso ter contribuído para que se tenha direito ao auxílio. O comportamento da população economicamente ativa (PEA), em 2000, mostrou-se particularmente preocupante, pois o setor formal representava pouco mais de 40% do total de indivíduos aptos a trabalhar, sendo o restante ocupado por outras classes de trabalhadores como assalariado sem carteira assinada, domésticos, autônomos e desempregados, entre outros (IBGE, 2014). Como os empregados formais correspondiam por 79% dos contribuintes em 2004, depreende-se que grande parte da população brasileira encontra-se sem inscrição na previdência social.


É interessante analisar o perfil do trabalhador contribuinte, visto que este possui uma média salarial maior do que os nãos contribuintes, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2014). Esta categoria de trabalhador mostrou características peculiares de maior grau de escolaridade e rendimentos em comparação aos nãos contribuintes, sobretudo no mercado de trabalho informal.


É possível perceber que o percentual de formalidade do mercado de trabalho tem aumentado de forma consistente e contínua no período de análise, chegando a um crescimento total de 11,29% dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada. Uma das causas desse aumento seria o crescimento da economia e a preferência do trabalhador em migrar para um emprego formal devido as vantagens em ter carteira assinada.


Por fim, percebemos que o setor formal no Brasil vem crescendo de forma persistente e continuada, e isso se reflete na melhoria do arcabouço institucional que proporciona melhores condições para o trabalhador. E com certeza, isso reflete no crescimento econômico nacional e regional, dando ao poder público maiores fontes de receita para poder aplicar de forma a proporcionar ainda mais as condições para um crescimento sustentável.










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Cotidianamente nos deparamos com a falta de mão-de-obra na nossa cidade, vários fatores apontam para esse resultado, como por exemplo, o rápido crescimento da produção nos últimos dez anos, a especificidade do trabalhador em escolher profissões mais comuns e seguras, entre outras.


Os fatos estilizados em macroeconomia e principalmente em economia urbana nos apontam que quando há problemas de alocações de mão-de-obra muito especifica, geralmente exigindo pouca escolaridade, ocorre o fenômeno da migração. Trabalhadores de outras regiões a procura de remuneração mais elevada, melhores condições de saúde e educação para sua família, saem da sua região de origem e vão para outras regiões. Como podemos constatar, segundo Cunha (2006) a imigração de outros estados para o estado de Mato Grosso, representou uma variação percentual de 28% entre 1981 e 2000, os que mais se destacaram foram Maranhão, Rondônia, Pará, Santa Catarina e Distrito Federal.  Já a variação percentual de emigrantes foi de 104% nesse período, os estados que se destacaram foram Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O resultado não é muito diferente para as ultimas décadas, apesar dessa diferença entre imigrantes e emigrantes estarem diminuindo, estamos um pouco longe de equacionar esse resultado.


Diante disso, uma das soluções, para equacionar temporariamente o problema da falta de mão de obra em alguns setores, seria melhorar os meios de divulgação das oportunidades de emprego para outras regiões, dos ganhos salariais e das condições que a cidade oferece, principalmente sobre aquelas onde há escassez de trabalho. Além é claro de proporcionar mais cursos e treinamentos para os profissionais que já estão empregados.


Por fim, essa seria apenas uma solução temporária, uma vez que, em uma situação onde há muitos trabalhadores buscando colocação, os salários tendem a recuarem e inibir o processo imigratório. Mas para isso, para haver esse processo, o trabalhador não pode esquecer-se de fazer um cálculo simples: comparar os salários da região onde deseja com a região de origem, e também os preços dos bens e serviços da região pretendida, como por exemplo, os alugueis, o preço dos combustíveis e a alimentação. Por mais que os salários são vantajosos, os preços dos bens e serviços também podem ser elevados.










fonte: Carlos Eduardo de Freitas

A partir dos anos 1990, temos um novo contexto brasileiro e mundial. No caso do Brasil, observamos mudanças radicais por parte das empresas e do governo. Devido principalmente a hegemonia do pensamento neoliberal, onde temos o predomínio das relações de mercado com privatizações e desregulamentações, minimizando o papel do Estado. A partir da entrada da nova década dois fatores colaboraram para empurrar as empresas em direção a uma estratégia inovadora. Por um lado, o aprofundamento da crise econômica a partir dos anos de 1990, diminuindo o mercado interno, forçando as empresas a se voltarem para o exterior. Por outro lado, a política de abertura obrigou as empresas a melhorarem suas estratégias de produtividade e qualidade para fazer frente à concorrência internacional.


Diante do quadro dos anos 1990, que se estende até os dias atuais, o comportamento típico de um grande número de empresas podem ser distribuídas em três planos: i) reestruturação produtiva, visando a adoção de métodos modernos de gestão e a busca de padrões de eficiência; ii) modernização/diversificação das linhas de produto e; iii) deslocamento de fábricas para áreas com boa estrutura e fácil acesso a grandes mercados.


Sobre o primeiro ponto, as empresas enfatizaram não apenas o redimensionamento de quadros, o enxugamento do catálogo de vendas e o fechamento de instalações, mas também, a aquisição de novas práticas gerenciais associadas à Gerência da Qualidade Total (TQM) – difusão de práticas de identificação e o uso intensivo de indicadores operacionais para gestão – e ao Just in Time (JIT)- um instrumento de controle da produção que busca atender a demanda da maneira mais rápida possível e minimizar os vários tipos de estoques da empresa. O sistema pode tanto abarcar a relação da empresa com seus fornecedores e consumidores (just-in-time externo), como apenas os vários departamentos e setores que compõem uma mesma empresa (just-in-time interno). Houve também uma multiplicação de mini-fábricas e “células de produção”, e soluções do tipo kan ban com o objetivo de aproximar a produção de acordo com a demanda (associadas ao sistema JIT). Além da busca de certificação nas normas ISO e treinamento de pessoal.


O segundo plano foi marcado pelo uso de novos insumos e a aquisição de equipamentos de última geração, isso implicou uma reativação dos investimentos, motivada pela abertura econômica e o câmbio favorável. Além é claro, do baixo preço e as facilidades de pagamento para a aquisição de equipamentos importados. Tudo isso contribuiu para as empresas almejarem verdadeiros saltos de desempenho.


Por fim, o ultimo plano em destaque, foi o deslocamento das fábricas principalmente na busca de fatores produtivos mais baratos em resposta a pressão competitiva advinda da abertura da economia. No fundo tudo isso estava atrelado a maneira eficaz de poupar simultaneamente, trabalho e capital.


Paralelo a isso, o mercado de trabalho sofreu modificações, uma vez que as unidades empregadoras por questões estratégicas e de sobrevivência começaram a implantar: a terceirização, o trabalho temporário, os prestadores de serviços em próprio domicilio, dentre outras. Tudo isso vem modificando o perfil de todo mercado de trabalho, afetando a remuneração do trabalhador, a responsabilidade e o processo de qualificação, o vínculo empregatício e a massa salarial. A principal vinculação dessas mudanças no perfil do mercado de trabalho são tendências para uma nova gestão do fator trabalho, tanto que se fundamentam em alguns conceitos que tentam esclarecer esse fenômeno organizacional, tais como:

a) employeeship - significa o empenho pessoal realizado para a sobrevivência e desenvolvimento da empresa, nas relações interpessoais, na produtividade e na qualidade;

b) empowerment - concepção de que as pessoas são dotadas de poder. Que podem ser através de conhecimentos, na capacitação, na qualificação e na automotivação;

c) employee involvement: são políticas de envolvimento dos empregados que se caracterizam por traços mais dirigidos ao indivíduo, para incrementar seus esforços e para assegurar maior comprometimento e identificação com a organização.

 

Assim, fiquem atentos para essas modificações organizacionais, de gestão e no mercado de trabalho que estão em curso, se adaptarem a isso é questão de sobrevivência.