Consumidores endividados caem no golpe do nome limpo

“Estou devendo. Quem não deve? Cartão e empréstimo”, diz Rogério Alves, auxiliar manutenção.

Há um ano Alexandre desembolsou quinhentos reais para ter o nome limpo em 15 dias, mas a empresa contratada não fez nada.

“Se não fosse atrás pra pagar sozinho, eu ainda estaria com o nome no serviço de proteção ao crédito até hoje”, conta Alexandre Ribeiro de Barros, analista de suporte.

Depois de distribuírem anúncios rua, prometendo limpar o nome dos devedores, as empresas agora dão golpes pela internet. Manuais e cartilhas são vendidos por até quarenta reais.

Os advogados alertam: a maioria das dicas não passa de crimes. O manual diz que o devedor deve se fazer de vítima.

“Essa história de coitadinho não funciona... O juiz jamais vai dar uma liminar com base apenas na sua palavra”, diz Carlos Celso Orcesi, supte jurídico.

Em outro trecho os golpistas dizem para pedir que os amigos mintam. “Claro que é crime. È um falso depoimento, falso testemunho”, alerta.

Em outro trecho os golpistas dizem que o devedor deve adulterar cheques devolvidos. E ainda alerta que a atitude é ilegal. “Estelionato, fraude a documentos, engano boa fé justiça; até formação de quadrilha”, informa.

Em outro trecho o autor prega: "Compre o que quiser, afinal, em pouco tempo você estará com o nome limpo...”.

Depois de cinco anos a dívida sai do cadastro de inadimplentes, deixa de ser pública, mas isso não significa que foi extinta. O débito continua existindo junto à empresa credora. Pode parar na justiça ou o mais comum, num cartório. Aí, negociá-lo é muito mais difícil.

“Quando título protestado a dificuldade é maior. Depois você tem as custas do cartório, que são proporcionais ao valor do débito”, explica Marcel Solimeo, economista chefe da Associação Comercial – SP.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - Proteste pediu que a Ordem dos Advogados do Brasil investigue a origem desses manuais.

“Pedimos que sejam analisados esses kits, que sejam encontrados os responsáveis...”, informa Maria Inês Dolci, coordenadora da Proteste.

Quem já passou pelo problema sabe. Não existe milagre. “Se a gente tem algo pra resolver, vá pessoalmente até a empresa, até o banco, tente fazer um acordo, mesmo que demore, mas com o tempo eles acabam fazendo. Procurar empresas, nunca mais”, afirma.

 

Fonte: Globo