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Valorizado, algodão ganha mais espaço no país

Data: 21/10/2021 - Fonte: valor.globo.com
Valorizado, algodão ganha mais espaço no país

Foto: Valor.Globo

Os produtores de algodão terminaram de colher recentemente a safra 2020/21 no país com números abaixo do recorde observado no ciclo anterior, mas com boa perspectiva para a próxima temporada. A perspectiva de aumento da produção no Brasil tem relação com os bons preços internacionais, que no mês passado alcançaram seu maior nível em dez anos.

Esse cenário estimula o agricultor a pensar em destinar mais hectares para a pluma do que para o milho na segunda safra, avalia Élcio Bento, da consultoria Safras & Mercado. “Em julho, a expectativa era de redução de área. Agora, com a escalada de preços, vemos o produtor animado em retomar a área plantada”, disse. Ele aponta que a rentabilidade do algodão em Mato Grosso, maior produtor nacional, está maior do que da soja e do milho.

A avaliação é similar à da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que estima aumento de 12,6% na área plantada em relação a 2020/21, para 1,53 milhão de hectares, com uma previsão de colher 2,8 milhões de toneladas - números que ficam abaixo do recorde de 3 milhões de toneladas em 1,67 milhão de hectares de 2019/20.

No ano passado, a janela chegou tarde e a baixa rentabilidade também estimulou a redução de quase 20% da área. Na época, o custo estava acima do que Nova York estava pagando e só não houve redução maior por causa do mercado externo
— Júlio Busato, presidente da Abrapa

Nos últimos 12 meses, porém, a pluma acumula valorização de quase 50% na bolsa de Nova York, estimulando o fechamento de negócios antecipados e o comprometimento para a produção de 2021/22. A Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), que registra boa parte das vendas no país, estima que 40% da produção da nova safra já está travada. O número está dentro da média dos últimos anos.

“Mesmo com essa explosão de preços, observamos os produtores mais retraídos, aguardando novas altas para vender. Mas o agricultor fica, sim, animado para aumentar área”, afirma João Lefèvre, presidente da BBM.

Em Mato Grosso, a comercialização antecipada está em ritmo acelerado. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), 48,3% da safra 2021/22 já está vendida, ritmo superior aos 43,9% do ano passado. Já há, inclusive, preços fixados até para a safra 2022/23, que será semeada daqui dois anos. Os produtores já negociaram 5,2% da expectativa de produção. Neste período de 2020 e na média dos últimos cinco anos, nada havia sido negociado com tanta antecedência.

Cultivo mais caro
A confirmação do aumento de área, contudo, deverá ocorrer apenas quando o plantio da soja acabar. Caso a janela de semeadura seja respeitada, o algodão fica mais atrativo, enquanto um calendário estourado faz o produtor ter preferência pelo milho. Porém, as duas culturas não chegam a competir “de igual para igual” pela área na segunda safra, já que a lavoura de algodão é muito mais cara que a do cereal, sendo um mercado destinado a produtores com maior capacidade de investimento.

Porém, uma espera tão longa também pode resultar em preços menores. O analista João Pedro Lopes, da StoneX, reforça que a janela de oportunidade para antecipar vendas pode não durar tanto. Com preços históricos, ele lembra que uma queda acentuada do petróleo, matéria-prima das fibras sintéticas que competem com o algodão, e um arrefecimento do consumo na China podem diminuir os preços praticados em Nova York.

Com boas perspectivas nas vendas, a logística de exportação é um ponto de preocupação, já que a maior parte da pluma colhida no Brasil é vendida ao exterior. A crise mundial de falta de contêineres está afetando as entregas, e a tendência é de que o cenário siga ruim até a metade do próximo ano, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

“Vai piorar antes de melhorar, há uma grande dificuldade de embarcar dentro dos prazos previstos. Na safra atual, nossa expectativa é de exportar 1,8 milhão de toneladas, mas é possível uma revisão desse número”, diz Miguel Faus, presidente da Anea. O volume das exportações de algodão nos dois primeiros meses da nova safra caiu 28,5% em relação à temporada anterior. A receita, por sua vez, diminuiu 15%.

 

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